Blockchain é uma espécie de banco de dados de transações virtuais que está disponível à consulta de todos os usuários de um sistema ou moeda virtual, a partir da junção de pequenos blocos de informação que, ao fim de uma etapa, se completam. Daí seu nome: a tradução literal do termo em inglês é “cadeia de blocos”.

Através de blockchain todo mundo pode acessar todas as negociações feitas dentro desse sistema, embora os detalhes de cada movimentação sejam criptografados para manter a privacidade dos envolvidos.

Sabe quando você precisa ir a um cartório autenticar um documento para enviar para outra pessoa? A blockchain, em tese, elimina o intermediário, que é o cartório, pois seus blocos de informações são autenticados e validados por todos os usuários e estão assegurados de uma ponta à outra.

Todas as transações ocorridas na blockchain ficam lá para sempre e não há como alterar ou desfazer qualquer movimentação depois que ela foi incluída no banco de dados. Assim, além de rápidas, as movimentações na blockchain são seguras e, em tese, completamente antifraude, uma vez que não permitem quaisquer alterações depois de ocorridas.

Na “vida real”, isso pode acontecer mais fácil, já que a maior parte das nossas transações está feita e assinada em papel físico – que pode ser modificado ou falsificado a qualquer tempo. 

Hoje, uma das utilizações mais populares da blockchain é para transações comerciais utilizando moedas virtuais, como o Bitcoin. Embora compras e vendas com Bitcoin sejam irrastreáveis, todas as informações sobre elas estão armazenadas nessa grande cadeia de blocos. Mas não é só de Bitcoin que vive a blockchain: qualquer criptomoeda pode se valer da segurança e praticidade desse sistema para guardar seu histórico de transações financeiras.

Embora pareça complicado, utilizar a blockchain é quase que uma atividade intuitiva. É preciso começar para entender e, nos primeiros dias, pode até soar estranho, mas trata-se de uma tecnologia inovadora e simples. Lembra a primeira vez em que você utilizou um e-mail, ou um smartphone? Como era diferente de tudo aquilo que você usava antes, deve ter causado estranheza; mas, uma semana depois, você já tinha domínio dessas ferramentas e, hoje, não saberia viver sem elas. Certo? com a blockchain é exatamente a mesma coisa.

Como funciona a blockchain

Para fazer a cadeia de blocos ser autêntica, o processo é composto por inúmeras informações transacionais que levam uma assinatura digital única. Ela é chamada de proof of work ou hash, dependendo do tipo de transação que você vai fazer. É como se fosse sua assinatura física, ou uma impressão digital, para provar que foi você quem fez aquela transação.

No caso dos Bitcoins ou de outras criptomoedas, essa prova pode ser o número da carteira de usuário, já que, diferentemente das contas bancárias, a blockchain não vai te pedir (ou guardar seu) nome e CPF a cada vez que você adentrar o sistema.

No fim das contas, a hash é o elo de ligação entre cada bloco de informação, formatando todo o processo. Utilizando, de novo, o exemplo do cartório, teríamos:

Seu documento – cartório para autenticá-lo – pessoa que vai receber o documento autenticado

Na blockchain, seria mais ou menos como:

Seu documento – hash – documento entregue para a pessoa

Aí, a hash funciona como assinatura do primeiro e do segundo documento simultaneamente, dando sua “impressão digital” aos dois e garantindo a autenticidade da transação. Assim, aos poucos, a cadeia de transações é formada.

No caso do Bitcoin, de dez em dez minutos são adicionados novos blocos à rede. Como dissemos, uma vez que isso ocorre, não há mais como voltar atrás. As transações estão verificadas, autenticadas e foram documentadas, e o resultado final é a transferência das moedas do comprador para o vendedor.

Se, no “mundo real”, um consumidor tem, por lei, o direito de se arrepender de uma compra e receber seu dinheiro de volta dentre 3 e sete dias após efetuar o pagamento, na blockchain isso não é possível. O que foi transacionado, literalmente, não tem volta.

Lembra que dissemos no início desse texto que essas transações estão disponíveis à consulta dos usuários? Como os blocos estão selados por códigos de programação complexos, isso ocorre de maneira criptográfica, significando que a transação constará dos blocos de dados, mas não há como ver a identidade dos envolvidos ou alterar etapas desse processo.

O resultado? É quase impossível violar o que está contido em uma blockchain, o que a torna um dos centros de informação mais seguros de que dispomos hoje.

A segurança da blockchain

Quando você submete uma informação importante a um banco, um cartório ou qualquer outro tipo de central de dados, normalmente pouco sabe sobre o sistema que verifica, autentica e armazena essa informação. Na blockchain, os códigos das transações são verificados pelos próprios usuários, como se todos estivessem em pleno acordo sobre a veracidade de todos os fatos contidos em uma cadeia de eventos.

Uma vez aprovada essa cadeia, ou seja, uma vez que os usuários deram sua autenticação, através das hashs, de que as transações ocorreram, elas são dadas como finalizadas. Esse é o sistema da blockchain, e todos tem conhecimento dele.

Ao pesquisar sobre blockchain você vai ouvir um termo chamado “mineradores”, nome dado às pessoas que reúnem informações em blocos e conseguem juntá-los uns aos outros. Os mineradores tem como objetivo juntar transações que não foram inseridas em blocos e dar a elas uma hash para que a cadeia esteja plenamente formada.

Geralmente, os mineradores estão em busca de “trocos” de Bitcoins que se perdem entre uma transação e outra, fazendo, aí, sua própria carteira a partir de suas hashs. Não é fácil ser um minerador, pois isso exige cálculos completos e dedicação exclusiva à atividade de minerar, atividades de computadores complexos, e não de pessoas físicas.

Essas pessoas também são responsáveis por manter o ambiente da blockchain seguro, já os mineradores estabelecem uma vigilância constante aos bancos de dados, evitando que eles apresentem fraudes. E, como as assinaturas, ou hashs, estão impressas no bloco anterior e posterior de uma transação, isso acaba complicando a vida de quem realmente quer tentar fraudar o sistema, pois, em uma cadeia, um bloco puxa o outro e, para mudar todas as hashs, o hacker deveria saber exatamente onde ele começa e onde termina.

Desnecessário dizer que, dentre milhares de transações diárias, atualizadas no sistema a cada dez minutos ou quase isso, é praticamente impossível saber onde uma cadeia começa e que fim ela vai levar. Isso é o que torna a blockchain um sistema absurdamente seguro.

Para complicar um pouquinho mais, digamos que uma pessoa mal intencionada queira, muito, fazer algo errado na blockchain. Para isso, ela precisaria alterar os dados de todos os computadores ligados em rede dentro do sistema. Para fazer isso, o computador dessa pessoa mal intencionada precisaria demonstrar uma capacidade de processamento maior do que a de todos os computadores envolvidos na blockchain.

Você conhece alguém que tenha esse computador? Se sim, torne-se amiga dessa pessoa e nunca mais saia do lado dela. Afinal, ela é a pessoa mais poderosa do mundo!

Isso, é claro, é uma brincadeira. Ninguém tem um computador desses. E, pra variar, fora da blockchain as fraudes em mudanças de documentos e transações bancárias é muito mais fácil, porque os donos de cada sistema sabem quando e através de quem cada cadeia de eventos começa e termina. Seu banco, por exemplo, tem todo o histórico de pagamentos que você faz e recebe, bem como o banco de quem te paga tem o histórico dessa pessoa e o de quem recebe de você também tem. O início e fim de cada transação são muito claros e nada criptográficos – e protegidos, basicamente, por uma senha.

É por isso que o hacker que consegue quebrar a senha de banco de alguém pode pegar dinheiro, fazer transações e tornar a fraude quase que imperceptível. Na blockchain, isso é impossível.  

Por isso, hoje, muitas empresas e até instituições governamentais se utilizam da blockchain para autenticar seus documentos e guardar dados. Quanto mais importantes eles são, mais fazem parte dessa rede. Além da proteção natural às informações contidas nos blocos, há a praticidade e rapidez no compartilhamento de informações e controle centralizado sobre todas elas. 

Possibilidades de utilização da blockchain

Além de transacionar Bitcoins, você também pode utilizar a blockchain para guardar documentos com informações importantes que você não quer ver compartilhadas sem sua autorização.

Vamos a um exemplo prático: sabe quando você recebe um diagnóstico médico e precisa comprar um remédio em uma farmácia dando seu CPF? Muita gente desconfia – e com potencial razão – de que fazer uma compra de medicamento atrelada a cartão de crédito ou CPF é gerar uma informação a empresas – como a companhia de plano de saúde – que podem ser usadas contra o consumidor.

Afinal, se você compra um remédio para tratamento de HIV dando essas informações, quais empresas se beneficiariam em te cobrar mais caro, ou te oferecer produtos caros, a partir desse pedaço de dado que conseguiram sabe-se lá onde?

Imagine que seu diagnóstico esteja na blockchain e que você compre medicamentos pela blockchain. Lá, nenhuma empresa teria acesso ao tipo de doença que você tem, pois seu prontuário está criptografado, assim como suas transações financeiras. Nenhuma instituição – nem mesmo o governo – poderia usar sua própria informação contra você.

Não seria legal?

Com o avanço da popularização da blockchain, esse tipo de cenário, ainda futuro, parece cada vez mais possível.

Além desse exemplo, você também pode usar a blockchain para comprar créditos de carbono, harmazenar históricos escolares e diplomas, guardar a salvo uma cópia do seu passaporte, fazer registros de automóveis e imóveis, além de catalogar objetos que, para fins de autenticação, demandariam taxas absurdas e muita burocracia.

Há quem diga que a blockchain é o fim de filas, cartórios, documentos impressos e muito mais. E pode ser mesmo. O sistema é confiável, seguro, simples de ser manuseado e carrega a boa-fé de todos os envolvidos em seus processos.

Ela também pode ser utilizada para fins escusos? Pode. Infelizmente, tudo em que o ser humano toca tem seu lado ruim. O jeito é cada um fazer a sua parte e usar a blockchain com sabedoria e responsabilidade. Quem sabe um sistema mais seguro – e infinitamente mais barato – não acabe mostrando ao mundo que é possível fazer as coisas do jeito certo? Afinal, se tem algo que a blockchain nos faz relembrar com a promessa de ser o fim de todos os problemas burocráticos de transações de dinheiro e dados é que sonhar não custa nada. E, se custar, não há criptomoeda que não pague por isso.

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